Política de Cookies Política de Privacidade

Bebidas envenenadas: surto de metanol expõe rede clandestina e ameaça saúde pública no Brasil

 O Brasil enfrenta uma grave crise de saúde pública provocada por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol, substância tóxica e potencialmente letal. Nas últimas semanas, foram confirmadas ao menos cinco mortes e dezenas de internações em estados como São Paulo e Pernambuco, com suspeitas se espalhando por outras regiões. 

Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens


A Polícia Federal e os órgãos de vigilância sanitária investigam uma possível rede clandestina de falsificação que estaria distribuindo produtos contaminados em bares, adegas e comércios informais.


O que é o metanol e por que ele mata

O metanol (CH₃OH) é um tipo de álcool utilizado na indústria como solvente, combustível e matéria-prima química. Apesar de sua aparência semelhante ao etanol — o álcool comum presente em bebidas — o metanol é altamente tóxico para o organismo humano. A ingestão, mesmo em pequenas quantidades, pode causar sintomas graves como náuseas, vômitos, dor abdominal, visão turva, convulsões, coma e morte.


Segundo o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), os efeitos podem surgir entre 6 e 24 horas após o consumo, e o agravamento é rápido. “O metanol é silencioso e mortal. Muitas vezes, a vítima acredita estar apenas embriagada, mas já está em processo de intoxicação severa”, alerta o toxicologista André Sampaio.


Casos se multiplicam em São Paulo e Pernambuco

Em São Paulo, a Secretaria Estadual da Saúde confirmou sete casos de intoxicação por metanol, com cinco mortes. As vítimas consumiram bebidas como gin e vodca em bares e adegas da capital e da região metropolitana. Um dos casos mais graves envolve Rafael dos Anjos Martins Silva, de 26 anos, internado em coma após ingerir gin comprado na Adega Santos, na zona sul da cidade.


Em Pernambuco, três casos foram registrados, dois deles fatais. As investigações apontam que as bebidas foram adquiridas em estabelecimentos informais, sem nota fiscal e com sinais evidentes de falsificação.


Estabelecimentos interditados e apreensões em massa

A Vigilância Sanitária interditou ao menos quatro bares em São Paulo e São Bernardo do Campo. No bar Ministrão, nos Jardins, foram apreendidas mais de 800 garrafas sem procedência. Em toda a capital paulista, cerca de 50 mil garrafas suspeitas foram recolhidas em operações conjuntas com a Polícia Civil e o Procon.


As bebidas apresentavam lacres tortos, rótulos com erros de impressão e preços muito abaixo do mercado. “É uma adulteração grosseira, mas que passa despercebida em ambientes noturnos e festas”, afirmou a diretora da Vigilância Sanitária estadual, Marília Vasconcelos.


Investigação aponta rede clandestina nacional

A Polícia Federal instaurou inquérito para rastrear a origem do metanol e identificar os responsáveis pela adulteração. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que há indícios de atuação interestadual e que a falsificação pode envolver quadrilhas especializadas.


A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) apontou possível ligação com facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), que já teria utilizado metanol em esquemas de adulteração de combustíveis. A hipótese ainda está sob análise.


Como identificar bebidas adulteradas

Especialistas recomendam atenção redobrada ao consumir bebidas alcoólicas. Os principais sinais de adulteração incluem:


Lacres danificados ou tortos

Rótulos com erros de grafia ou impressão

Ausência de selo fiscal

Preço muito abaixo do valor de mercado

Origem desconhecida ou venda por ambulantes

A recomendação é adquirir bebidas apenas de fabricantes autorizados e estabelecimentos confiáveis. Em caso de suspeita de intoxicação, é fundamental procurar atendimento médico imediato e informar o histórico de consumo.


Medidas emergenciais e alerta nacional

O Ministério da Saúde reforçou os protocolos de notificação para casos suspeitos de intoxicação exógena e orientou unidades de saúde a manterem vigilância ativa. A população é incentivada a denunciar estabelecimentos suspeitos e colaborar com as investigações.


A crise expõe fragilidades na fiscalização do mercado de bebidas e reforça a importância da conscientização sobre os riscos do consumo de produtos sem procedência. “Não é apenas uma questão de saúde, mas de segurança pública”, afirmou o infectologista Julio Croda, da Fiocruz.



INFORMAÇÕES 

Rádio Alvorada 94,5 Fm 

Postagem Anterior Próxima Postagem