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Tragédia da Voepass: Falha em sistema de degelo omitida em diário de bordo

Vinhedo, São Paulo — Quase um ano após a queda do voo 2283 da Voepass, que vitimou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024, um ex-auxiliar de manutenção revelou detalhes cruciais que apontam para uma falha fatal na cadeia de operações da empresa.

Destroços de avião da Voepass, que caiu em Vinhedo (Crédito: MIGUEL SCHINCARIOL / AFP)



 Em um depoimento obtido pelo portal G1 e amplamente repercutido por outros veículos de comunicação, o funcionário afirma que a aeronave que caiu em Vinhedo (SP) tinha um problema no sistema de degelo que, por uma omissão, não foi registrado formalmente, permitindo que o avião decolasse.

Segundo o relato, que veio à tona dias antes do primeiro ano do acidente, o piloto do voo anterior havia comunicado verbalmente que o sistema de degelo, essencial para evitar a formação de gelo nas asas, desligava sozinho. No entanto, o problema não foi anotado no technical log book (diário de bordo técnico), documento obrigatório que deveria ter impedido a liberação do avião para novos voos até que o reparo fosse concluído. O ex-funcionário expressou "remorso" por não ter formalizado a informação.

A reportagem do G1 sugere que a falha na documentação pode ter ocorrido em um contexto de pressão operacional na companhia. A testemunha mencionou que havia uma cultura para evitar que as aeronaves ficassem paradas por manutenção, alegando prejuízo financeiro. Essa pressão teria levado ao adiamento de revisões corretivas, mesmo com falhas já conhecidas.

A análise da caixa-preta do voo 2283 revelou que, durante a viagem fatídica, o sistema de degelo foi acionado três vezes, mas não funcionou. Especialistas em aviação reforçam que a inoperância desse sistema compromete a sustentação e a aerodinâmica da aeronave, e o voo não deveria ter sido autorizado nessas condições.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) ainda não publicou seu relatório final, que trará as conclusões oficiais sobre as causas do acidente. As investigações, no entanto, indicam que a falha humana e a cultura de segurança da empresa são pontos centrais na apuração da tragédia.




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